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Lições de AutoModelismo

Noções Gerais para Iniciantes

Lição para quem não entende nada sobre automodelismo. As primeiras noções
Dicionário
Regulagem de motores (aplicável para auto)
O motor não funciona ou funciona mal. E agora?  (aplicável para auto)
Regulagem de motores de automodelos (clique)
Como constituir um clube de aeromodelismo  (aplicável ao auto)
Quem hoje tem 40 anos… lembranças e divagações
Olho vivo com o filtro de ar (dica do Ruben)

Motores

Motores e Carbonização   
Motores de Combustão Interna

Rádios

Interferência no Radiocontrole Em Inglês
Interferência no Radiocontrole II Em Inglês

 

Automodelos

Ajustes Especiais nos Automodelos 

O Pneu Certo no Automodelismo (clique)

A transmissão dos Automodelos (clique)
Automodelos on road de alto desempenho 
Dicas e Truques de Automodelismo Novíssimo  
Bolhas B3 RC BODIES

Combustível

Alguns questionamento sobre combustíveis glow

Baterias

Cuide bem de suas baterias
Baterias do Automodelo R/C Elétrico 
Tudo sobre baterias recarregáveis Em Inglês
Testando as baterias (Dica do Henrique)

Diversos    

Uma Grande Mostra de Modelismo no Japão 

Automodelismo Elétrico

Primeiras Noções de Eletrônica – Porque Acende – Colaboração de Cedric

 

 

 




Regulagem do carburador (volta para o início)

                                                     Por Flavio Medeiros

 

Nada pior do que um carburador mal regulado. Se a mistura estiver muito pobre na alta, em pouco tempo o motor pode fundir. Se estiver mal regulada na baixa, não pegará lenta e estará sempre apagando.

Assim, você deve aprender a regular o carburador na alta rotação (utilizando a agulha da alta) e na baixa rotação (utilizando a agulha da lenta).

A grande maioria dos modelistas sabe regular a alta, mas não a baixa.

Comecemos pela regulagem da alta que, aliás, é a mais fácil.

       COMO 61 (2).jpg (17355 bytes)

Vista de cima de um carburador: O número 1 é a agulha da alta. A direita,o caninho, é a entrada de combustível. O 3 é um parafuso que limita o fechamento da garganta, deixando assim, sempre, uma entrada de ar mínima, mesmo que se dê comando para fechar toda garganta. No dois o parafuso que regula a entrada de ar na baixa rotação.

 

Acelere tudo (abrindo toda garganta do carburador) e encontre o ponto na agulha da alta em que o motor atinge maior rotação (geralmente 1 volta e meia ou duas voltas na agulha). Depois que vc encontrar o ponto em que o motor atinge a maior aceleração abra a agulha 1/4 de volta (vc notará que a rotação baixará um pouco). Este é o ponto ideal da alta rotação, ou seja, seu motor está levemente afogado. Levemente afogado para que trabalhe com mistura rica, para que não aqueça demais.

Depois que vc regulou a agulha da alta é hora de mexer na agulha ou parafuso da baixa.

A agulha da baixa existem dois tipos dependendo da marca e do modelo do motor.

Tem a agulha que se vc abrir ela vai aumentar a entrada de combustível (enriquecendo a mistura – motor Thunder Tiger 46 por exemplo)

Tem outro tipo de agulha (depende do modelo e da marca do motor) que se vc abrir ela vai aumentar a entrada de ar (empobrecendo a mistura – motor OS 40 LA por exemplo).

Depois de descobrir (olhando) qual o tipo de agulha de seu motor vc já sabe como enriquecer ou empobrecer a mistura na lenta rotação.

Vamos adiante: fechando a garganta vá até a menor rotação antes de o motor apagar. Feito isso, nesse nível de rotação em que está o motor, vc tem que descobrir se o motor está trabalhando com mistura pobre ou rica na baixa rotação, sendo que o ideal é que ele fique com a mistura muito levemente rica (com ocorre na alta).

Descobrindo isso (se o motor está com mistura pobre ou rica na baixa rotação) vc está apto para regular a lenta, empobrecendo ou enriquecendo a mistura.

Como se descobre se o motor está com a mistura rica ou pobre na baixa?

O dois melhores métodos dão os seguintes:

1o – deixe o motor em lenta por uns 30 ou 40 segundos e depois acelere de soco. Se ele fizer Glup (boa essa né?), como se tivesse se engasgado, e apagar logo em seguida a aceleração repentina, é porque ele está com a mistura pobre na lenta. Quando vc abriu de repente entrou muito ar e pouco combustível e ele como que se engasga apagando de vez. Se ao contrário, em vez de se engasgar e apagar imediatamente, ele começar a aumentar o giro vagarosamente largando bastante fumaça e atirando combustível pela descarga, levando assim um certo tempo até atingir a máxima rotação (ou mesmo de tão cheio de combustível ele vier a apagar), daí é porque a mistura está rica demais na lenta. Para regular vá fechando ou abrindo a agulha da baixa até achar o ponto ideal. Lembre-se: sempre que vc mexer na agulha da baixa deverá novamente regular a agulha da alta. O motor só estará com a lenta e alta regulada depois que vc partindo com ele dá baixa rotação acelerar de soco e ele responder imediatamente.

2o. – o segundo método, que deve e pode ser combinado com o primeiro, consiste no seguinte: deixe o motor na lenta rotação por uns 30 segundos e a seguir levante levemente o nariz. Se o motor aumentar levemente a rotação é porque ele está no ponto ideal. Se ele apagar é porque a mistura está pobre. Entende por que ele faz isso? É porque levantando o nariz a gravidade faz com que entre menos combustível e se a mistura estava levemente rica ela passa a ficar ideal e o motor acelera mais. Se a mistura estava pobre a gravidade faz ela ficar mais pobre ainda fazendo o motor apagar.

Com o tempo, só com o ouvido vc estará regulando a lenta e a baixa.

Se seu motor não pega regulagem, as hipóteses mais prováveis são (nessa mesma ordem estatística: combustível inapropriado (alguns motores não aceitam óleo de rícino sintético), furo no tanque (falta compressão), furo na mangueira, vela (troque), motor fundido (trocar os anéis ou a camisa e o pistão se for motor sem anel)


O motor não funciona ou funciona mal. E agora? (volta para o início)

                                                                                Por Flavio Medeiros

 

Um motor tem de funcionar redondo, bem regulado. Com uma boa alta e com uma boa baixa rotação. Ele deve passar da baixa para a alta rotação sem apagar ou engasgar. Deve se manter por todo um tanque na baixa rotação sem desligar.

Você tenta ligar o motor e nada ou então vc liga e ele a seguir apaga. Ou então ele não funciona conforme descrevemos acima. O que fazer?

A idéia aqui é lhe dar um roteiro, ou seja, por onde começar e o que fazer. Faça o seguinte:

1o. – por primeiro o óbvio…veja se tem combustível no tanque e a seguir veja se a agulha da alta está bem regulada.

2o. – assoprando a mangueira que fornece compressão ao tanque (aquela que vai na surdina), veja se o combustível corre livre pela outra mangueira. Caso não corra livre muito provavelmente a mangueira está torcida dentro da fuselagem impedindo a passagem de combustível.

3o. – veja se a vela funciona. Tire ela e a coloque no ni starter. Deve ficar incandescente. Note: o fato de ficar incandescente é 70% que ela está boa mas não 100%. Na dúvida troque a vela. Certifique-se que a bateria ni starter esteja carregada

4o. – olhe a vela. Há motores que não aceitam velas sem aquele filete de metal (só com o arame). Anote aí: quando o motor apaga quando está em alta rotação é sinal de que o problema pode ser na vela.

5o. – o motor funciona mas quando fica com o nariz do avião para cima ele apaga. Provavelmente é o pescador do tanque que está dobrado dentro do tanque não conseguindo pegar o combustível da parte traseira fundo do tanque. É muito comum a mangueira no interior do tanque torcer depois de uma batida com o aeromodelo de frente. O peso do pescador joga a ponta da mangueira (onde fica o pescador) para a parte dianteira do tanque.

6o. – já que estamos mexendo no tanque verifique se ele não possui nenhum furo. Verifique também se não há furo nas mangueiras. A melhor forma de fazer essa verificação é colocar o tanque vazio em um balde de água e assoprar em uma mangueira enquanto se tapa a outra. Aparecendo bolhas, está aí o furo. Com o furo fica faltando compressão no tanque. Tende a faltar combustível quando se acelera (como se a mistura estivesse pobre na lenta)

7o.- verifique se o tanque é importado ou nacional. Se for nacional veja se é GCM. Em caso negativo, jogue fora.

8o. – se o motor for dois tempos e o combustível for de rícino sintético, experimente utilizar um combustível com óleo de rícino normal. Muitos motores dois tempos não aceitam o rícino sintético (combustível tipo competição).

9o. – se o motor for 4 tempos veja se ele possui nitrometano. Se não possuir nitro, troque por um com pelo menos 10% de nitro. Motores 4 tempos não funcionam bem sem nitrometano.

10. – verifique se o retentor do servo está prendendo bem o arame do pushroad. Se o arame não está deslizando no retentor de servo. Examine também se o pushroad do acelerador não está flertando (pode flertar até com o peso do tanque)

11. – Buenas…já examinamos a parte elétrica, já vimos a parte da alimentação de combustível, não restam muitas alternativas…regule a agulha da lenta (ver lição 2). Se o motor continuar não pegando regulagem, abra o carburador e limpe-o. Pode ter alguma sujeira.

12. – continua com problemas? Quem sabe não está faltando compressão no motor (motor oco)? Motores sem compressão não pegam a lenta. Peça para alguém com experiência girar a hélice com o motor desligado para que lhe diga o que acha da compressão. Não acredite no primeiro chute. Ouça mais de uma pessoa. Se for esse o problema tem de trocar o conjunto camisa, pistão e biela.

13. – peça ajuda.

14. – faça uma benzedura

15. – jogue fora o motor

 


  Como constituir um Clube de Aeromodelismo (volta para o início)

Por Flavio Medeiros

 

Constituir formalmente e legalmente um clube ou uma associação de Aeromodelismo (tecnicamente clube e associação possuem o mesmo significado) implica em um pouco de trabalho. Todavia, esse trabalho pode ser reduzido bastante se o encaminhamento do procedimento for bem feito.
Partindo da hipótese de que vc é mais alguns colegas estejam dispostos a fundar um clube, o primeiro passo é dirigir-se ao Cartório de Registro Especial de sua cidade e lá informar-se das exigências para fundar-se um clube e registrá-lo.

Normalmente (pois que decorre de lei) é exigido o seguinte:

Que se faça uma assembléia dos fundadores de onde devem sair as atas:

– Ata de fundação do Clube (ou associação)
– Ata de aprovação dos Estatutos
– Ata de eleição da Diretoria

Estas atas acima devem ser assinada por todos os participantes da assembléia.

– Relação dos sócios fundadores (com qualificação das pessoas, ou seja, profissão, nacionalidade e estado civil)
– Relação da Diretoria (também com qualificação da pessoas)
– Os Estatutos (que deve ser assinado por todos sócios fundadores – todas folhas devem ser rubricas por todos) – – Requerimento de registro do Clube assinado pelo presidente eleito dirigido ao Oficial do Registro Especial para que o mesmo efetue o registro do clube.

Atualmente, a lei dispensa a publicação de Editais na imprensa o que torna bem pouco oneroso o processo de registro.

Todos esses documentos acima devem ser assinados por um advogado inscrito na OAB.

Algumas dicas para facilitar o trabalho:

Segue um modelo de Estatutos (clicar aqui) para que vc tenha por onde iniciar. Faça as alterações que entender convenientes.

– quanto menos sócios fundadores participarem da assembléia geral é menos assinaturas para andar atrás

– as três atas, de fundação, de aprovação de estatutos e de eleição da Diretoria, podem ser todas feitas em uma só, conforme modelo (clicar aqui).

Toda essa apelada deve ser encaminhada em duas vias para o Oficial do Registro. Lá fazem abrem um processo, lhe informam se falta alguma coisa e a seguir, em alguns dias, sai o registro.

Com esse registro vc poderá filiar-se à ABA (clique aqui).

 


ESTATUTOS DO CLUBE GAÚCHO DE AERMODELISMO

 

CAPÍTULO I – DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1o. – O Clube Gaúcho de Aeromodelismo, fundado em 4 de outubro de 1997, sem fins lucrativos, com sede e foro na cidade de Porto Alegre, a Av. A. J. Renner, 2705, em Porto Alegre, RS, tem por fim incentivar a prática do aeromodelismo.

Art. 2o. – Os sócios não respondem solidária ou subsidiariamente pelas obrigações da Clube

 

CAPÍTULO II – SÓCIOS

Art. 3o. – São três as categorias dos sócios:

a) fundadores (os que assinaram a ata de fundação);

b) honorários (as pessoas não pertencentes à Associação e que a juízo do Conselho Geral tenham prestado excepcionais e relevantes serviços à associação ou ao aeromodelismo;

c) gerais (os demais).

 

CAPÍTULO III – Direitos e Obrigações dos Sócios

Art. 4o. – Pode o sócio:

a) votar e ser votado;

b) assistir e/ou participar das competições esportivas e das reuniões recreativas, sociais e culturais

Art. 5o. – São obrigações dos sócios:

a) obedecer ao presente Estatuto;

b) respeitar os dirigentes da Associação, quando no exercício de suas funções;

c) respeitar as normas de procedimento e segurança de vôo radiocontrolado, circular ou livre;

d) pagar as contribuições de acordo com calendário aprovado pelo Conselho Geral, sob pena de eliminação se a inadimplência ultrapassar noventa dias

 

CAPÍTULO IV – PENALIDADES

Art. 6o. – Pela transgressão das obrigações sociais ou das normas operacionais de segurança o sócio será punido com as penas de advertência, suspensão até seis meses ou eliminação.

Parágrafo 1o. – A pena será graduada conforme a gravidade da falta, devendo impor-se a eliminação quando o sócio revelar mau caráter ou inadaptabilidade ao meio social ou causar grande dano à Associação.

Parágrafo 2o. – Compete a Diretoria a aplicação das penas. A pena de eliminação dependerá de confirmação do Conselho Geral.

 

CAPÍTULO V – DOS PODERES

Art. 7o. – São poderes da Associação:

I – A Assembléia Geral
II – O Conselho Geral
III – O Conselho Fiscal
IV – A Diretoria

Art. 8o. – Os membros dos diversos poderes terão um Presidente a quem caberá a direção dos trabalhos.

Art. 9o. – A Assembléia Geral, composta dos sócios, reúne-se de quatro em quatro anos, na primeira quinzena do mês de dezembro para o fim de elegerem o Presidente, o Vice-Presidente, o Diretor Secretário, o Diretor Tesoureiro e os três membros do Conselho Fiscal.

Art. 10o – A convocação, que será publicado em jornal oficial, far-se-á de modo a que todos os sócios tomem conhecimento da data, local e horário da reunião em Assembléia Geral.

Art. 11o. – O Conselho Geral é o órgão superior de aconselhamento da Diretoria sendo composto por todos Ex-Presidentes do Clube, pelo Presidente, Vice-Presidente, pelos Diretores Secretário e Tesoureiro e pelo Presidente do Conselho Fiscal.

Parágrafo 1o. – Compete ao Conselho Geral propor e votar alterações estatutárias que deverão ser aprovadas pela maioria de seus membros.

Art. 12o. – O Conselho Fiscal, poder fiscalizador da Associação, compõe-se de três membros com mandato de quatro anos, competindo-lhe deliberar com um mínimo de dois de seus membros e reunir-se uma vez por trimestre.

Art. 13o. – Ao Conselho Fiscal compete examinar balancetes, documentos, livros, comprovantes e papéis do interesse da administração financeira da Associação, examinar e emitir parecer sobre as contas anuais apresentadas pelo Presidente da Associação.

Art. 14o. – A Direção, poder de execução, compõe-se de quatro membros com mandato de quatro anos.
Parágrafo 1o – São membros da Diretoria, o Presidente, o Vice-Presidente, o Diretor Tesoureiro e o Diretor Técnico;

Art 15o. – Cumpre:

a) à Diretoria executar as deliberações do Presidente e dos órgãos competentes, conforme preceitua o presente Estatuto, resguardar o patrimônio da Associação, exercer o controle ativo e permanente sobre a vida financeira e econômica da Associação;

b) ao Presidente da Associação, representar a Associação nos atos de sua vida social e jurídica, representar a Associação ativa e passivamente a nível judicial e extrajudicial, constituir procuradores em juízo ou fora dele, nomear, por tempo limitado Diretores Provisórios, entre os quais Diretor de Escola, Diretor de Vôo Circular, de Vôo Livre, de Planador, de Festival, de Campeonato, de Prova, de Etapa e para fins determinados, autorizar despesas ordinárias, apresentar relatório anual ao Conselho Geral, cumprir e fazer cumprir o presente Estatuto;

c) ao Vice-Presidente compete substituir o Presidente nos seus impedimentos;

d) aos Diretores, agir como delegados do Presidente em seus setores, praticar os atos de superintendência de seus departamentos;

e) ao Diretor-Tesoureiro organizar os serviços da tesouraria e contabilidade, assinar com o Presidente os títulos de obrigação da Associação, zelar pelo patrimônio da Associação, promover e controlar receitas e despesas;

f) ao Diretor-Secretário organizar, dirigir e coordenar as atividades da Associação, elaborar regulamentos de eventos, competições, festivais, encontros, exibições.

 

CAPÍTULO VI – DO FUNDO SOCIAL

Art. 16. – O fundo social é constituído dos bens móveis e imóveis, escriturando-se tudo o mais como receita, como as contribuições dos sócios, rendas dos bens patrimoniais do arrendamento e taxas de utilização das competências e serviços da Associação.

 

CAPÍTULO VII – DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 17. – O Conselho Geral poderá a qualquer tempo alterar o valor das contribuições dos sócios e criar taxa.

Art. 18. – Esse estatuto poderá ser reformado por maioria dos membros do Conselho Geral.

Art. 19. – A Associação existirá por prazo indeterminado. A extinção da Associação será deliberada por 2/3 dois terços) dos presentes em Assembléia Geral, convocada especialmente para este fim, sendo que o patrimônio que houver será destinado à Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

Art. 20. – Esse Estatuto foi aprovado pela Assembléia Geral no dia 5 de março de 1997 e entrou em vigor na mesma data. Segue rubricado pelos presentes na Assembléia Geral que assinaram a Ata de Fundação, de Aprovação de Estatutos e Eleição de Diretoria e Conselho Fiscal.

Diretor Presidente:
Diretor Vice-Presidente:
Diretor Secretário:
Diretor Tesoureiro:
1o. Conselheiro Fiscal:
2o. Conselheiro Fiscal:
3o. Conselheiro Fiscal:

 



 

  Quem hoje tem 40 anos… lembranças e divagações

Por Flavio Medeiros

 

Meu irmão, o Medeiros, proprietário da Weekend, resolveu comemorar seus quarenta e alguns anos em uma churrascaria. Convidou alguns clientes que com o passar dos tempos se tornaram também amigos. Jantamos e a conversa entrou noite adentro. Na mesa boa parte do pessoal estava também por volta dos quarenta, assim como eu.

Lá pelas tantas,  e depois de alguma cerveja, começamos a relembrar, nostálgica mas muito alegremente, dos tipos de brincadeiras que fazíamos. Percebemos que não interessando o bairro em que cada um morou, todos fizeram mais ou menos as mesmas coisas e brincaram os mesmos jogos.

Eram tempos que se jogava bolita. O grande lance era ter ou ganhar uma aça. Havia jogadas muito elegantes, tal como a “cu de galinha”. Jogava-se também peão com uma corda. Tinha os carrinhos de lomba. Uns preferiam os de quatro rolimãs, outros os de três. Alguns carrinhos tinham freios, outros tinham até direção. Não sei quem, acho que o Renato, se lembrou dos “tratorzinhos”, aqueles  engenhocas que se faziam com carretéis de linha que por dentro passava um elástico, de um lado uma alavanca e do outro um pedaço de cera de vela. Dava-se corda e eles andavam. Alguns tratorzinhos mais sofisticados tinha pequenos cortes nos carretéis, eram garradeiras que os tornavam off roads. Tinha o pega-ladrão, o esconder e o Clube que não entrava mulher. Tinha ainda aquela casa de madeira em cima da árvore. A carrocinha que levou um cachorro da zona para fazer sabão. As bombas. Ah, as bombas!! Era jogar  uma no chão e colocar uma lata em cima. Mas a lata não ficava em cima, então um, mais kamikase, na corrida e num último lance arrojado conseguia colocar a lata em cima do rojão e….BUM…as vezes saltava só a tampa. Tinha bomba de 10, de 20, de 200… Os gordos, ninguém sabia explicar porque, estavam sempre envolvidos com as bombas de 200. O jogo de taco. Três varetinhas formando um triângulo. O time de futebol da rua. As brigas e verdadeiras batalhas campais entre zonas. A Hobby Brinquedos do Seu Nunes. Teve gente que a pegou na subida da Andradas a direita… põe velho nisso! Outros a pegaram já a esquerda. Os carrinhos de autorama. Os de roda amarela seguravam melhor e os que fossem mexidos pelo Renato eram os que mais andavam. O Renato, aquele bigode, grande figura, um homem histórico,  uma grande e ótima pessoa, especialmente quando não estava rosnando. Foi do Renato que comprei meu primeiro aeromodelo. Eu tinha uns oito anos, comprei o Manica II, um motor Enya (que demorou meses para amaciar) e os cabos. Montei ele sozinho e o quebrei sozinho no Parcão, naquele época meio mato meio campo. E o aro? Quem se lembra do aro? Aquele círculo que se empurrava com um arame retorcido na ponta. E o jogo aquele
que se ia cravando ferros de obras pelo chão de terra. Se não cravasse perdia a vez. Qual era mesmo o nome desse jogo?

Naquela mesa quem não era automodelista – digo atualmente – era aeromodelista. Percebi que todos se divertiam muito se retornando àquelas lembranças dos tempos da molecagem.  E daí conclui o seguinte: esse pessoal que hoje pratica modelismo é uma turma que não deixou de ser criança. Se isso é saudável ou não, pouca importa, interessa é que esses malucos bobalhões continuam se divertindo pacas.

Outro coisa que confirmei foi a seguinte tese:  o cara que hoje se interessa por aeromodelismo é porque quando criança teve algum tipo de relação com aviões ou aeromodelos. Ou tinha a mania de jogar aviãozinho de papel, ou tinha um pequeno planador de madeira, ou soltava balão, pandorga, enfim, quando criança sonhava em voar. E quem hoje pratica automodelismo é porque quando criança, a mesma coisa, mantinha um relação com automóveis, carrinhos ou autorama. Uma pessoa adulta não aprende a gostar de modelismo. É como o alcoolismo. O cara é ou não doente. Tem ou não a coisa dentro de si. E vou mais longe, não duvido que esse troço seja meio constitucional, meio genético, pois que é muito comum a coisa estar presente na ascendência e na descendência.

Observei ao pessoal na mesa que naquele mesmo dia vi em diversas bancas o lançamento do primeiro fascículo de uma coleção sobre aeromodelismo. Uma edição espanhola, traduzida para o português e exportada para o Brasil e Portugal. Comentei que se o modelismo vinha crescendo bastante em todo o Brasil aquele lançamento seria o verdadeiro BUM do modelismo brasileiro. Concordaram comigo. E, a seguir, comentamos também, que aí estava a grande chance dessa geração de moleques. Esses moleques de hoje, que dado a insegurança da cidade não podem mais andar soltos pelas ruas a saudavelmente colocar pedras nos trilhos dos bondes (e tinha uma turma que uma vez até roubou um bonde!!) para fazê-los descarrilhar, a rodar o aro, a jogar bolita, a andar de carrinho de lomba… Uma grande chance para uma geração que pouco manuseia seus brinquedos, que pouco fabrica e que passa horas em frente de vídeo games e computadores. Uma chance fantástica para uma geração que chega ao ponto de transar pela net, como se isso tivesse gosto e cheiro,  de tão distante que se encontram das ruas.

Receba essa revista nossas homenagens. Um grande lance!!!

Também não sei até que ponto a falha não é nossa. Penso nisso sempre que meu filho me cobra a casa na árvore do pátio que prometi fazer há mais de um ano. E o pior de tudo é que estamos por nos mudar para um apartamento!
Alguém aí sabe como fazer a terra girar 30 vezes ao contrário em volta do sol?! Mande um Email.

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